Divertículos

Como é que aparecem os divertículos?

A parte muscular da parede do cólon torna-se mais espessa com a idade. Este espessamento deve-se a um aumento da pressão que é necessária para eliminar as fezes. Uma dieta pobre em fibras leva à formação de fezes duras e pouco volumosas, que são difíceis de fazer progredir ao longo do cólon. As contrações vigorosas do cólon que são necessárias para a progressão deste tipo de fezes, pode levar a que a camada de revestimento interno seja empurrada através de pontos de fraqueza na parede, ocasionando o aparecimento de divertículos.

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Quais são os sintomas da doença diverticular do cólon?

A maioria destes doentes têm poucos ou nenhuns sintomas, sendo a Divertículos detectada incidentalmente em exames feitos por outra razão. Apenas 20% dos doentes com diverticulose vêm a ter sintomas devidos à existência de divertículos. Os sintomas mais comuns de doença diverticular são: cólicas abdominais, obstipação (prisão de ventre), diarreia e sensação de distensão abdominal. Estes sintomas devem-se à dificuldade de passagem das fezes ao longo do cólon esquerdo, cujo diâmetro se encontra estreitado pela doença diverticular.

Um divertículo pode infectar originando uma diverticulite.  Os Divertículos, além de causar dores mais intensas, pode também romper ou causar obstrução do cólon. A ruptura de um divertículo pode levar à formação de um abcesso à volta do divertículo inflamado ou, mais raramente, a uma peritonite generalizada. Também raramente, a inflamação do divertículo pode estender-se a um orgão vizinho, como a bexiga, estabelecendo-se uma comunicação anormal (fístula) Esta comunicação pode ser responsável pela presença de gases ou fezes na urina.

A hemorragia resulta de uma ferida num vaso sanguíneo na base do divertículo causada pelas fezes duras. Esta hemorragia pode ocorrer sem qualquer dor e é, geralmente, de sangue vivo. No entanto, quando a hemorragia tem origem num divertículo do cólon direito, o sangue que é emitido pelo anus é escuro. A hemorragia pode ser ligeira ou grave, sendo sempre aconselhável a observação por um médico.

divertículos sintomas

Como é feito o diagnóstico?

Uma vez suspeitado, o diagnóstico de doença diverticular pode ser confirmado por vários exames:
· Clister opaco: é realizado pela introdução de bário líquido no reto e intestino grosso, tal como num clister vulgar; são feitas radiografias à medida que o líquido passa pelo cólon. Os resultados ajudam a determinar a causa dos sintomas.
· Endoscopia: é feita com um instrumento flexível (como um tubo fino, da espessura de um dedo), que é introduzido no anus e permite inspeccionar o cólon. Podem utilizar-se tubos curtos, com 25 cm, sigmoidoscópios, ou mais longos, colonoscópios.
· Estes dois exames não devem ser feitos nas fases agudas, isto é., quando se suspeita de diverticulite. Nesta situação, o melhor exame é a TAC (ou eventualmente a ecografia) que podem mostrar a presença de abcessos ou de divertículos inflamados.

Qual o tratamento para a doença diverticular?

Muitos dos doentes com diverticulose têm poucos ou nenhuns sintomas. Nestes, não é necessária qualquer tratamento específico. Aconselha-se uma dieta rica em fibras para evitar a obstipação e a formação de mais divertículos. Os doentes com sintomas ligeiros de distensão abdominal e obstipação, para além de suplementos de fibras, podem fazer medicamentos anti-espasmódicos (ex: butilescopolamina, clordiazepóxido); alguns médicos também aconselham evitar frutos secos, milho e sementes (pinhões, pevides) para evitar as complicações da diverticulite; no entanto, nunca se provou claramente o benefício destas medidas.

Quando ocorre diverticulite são necessarios antibióticos, muitas vezes exigindo internamento hospitalar. Nestas circunstâncias, é aconselhável uma dieta líquida e a não ingestão de fibras, ou mesmo dieta zero, i.e., não ingerir qualquer alimento pela boca. A cirurgia é necessária quando os abcessos não cedem ao tratamento ou quando existe uma peritonite generalizada.

A hemorragia diverticular ocorre tipicamente de forma intermitente ao longo de vários dias.

Geralmente é feita uma colonoscopia para confirmar o diagnóstico e determinar a origem da hemorragia, assim como para excluir outras causas, como o cancro colo-retal, polipos ou angiodisplasia (vasos sanguíneos anormais localizados sob a camada de revestimento interior do cólon). Nos doentes com hemorragia persistente, é preciso operar para remover a parte de cólon afetado. Quando a colonoscopia não consegue detectar a origem da hemorragia, podem ser necessários outros exames, como a angiografia e a cintigrafia.

Quando se formam fistulas (comunicações anormais) entre o cólon e a bexiga ou a vagina, é necessária cirurgia.

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CIRURGIA

Colectomia

Como atrás foi dito, o tratamento cirúrgico consiste numa operação em que se remove o segmento do cólon (colectomia) que contém os divertículos. As extremidades do cólon não excisado, acima e abaixo do tumor são, então, unidas.

Nestas circunstâncias o cirurgião faz um orifício na parede abdominal (colostomia), através do qual as fezes são excretadas. Estes doentes são então instruídos e ajudados a adaptar-se às suas colostomias e, passados alguns meses, é feita uma segunda operação para encerrar a colostomia, unir as extremidades do cólon, passando o doente a defecar normalmente.

Preparação pré-operatória

· Não deve tomar aspirina, ou medicamentos semelhantes (antiagregantes plaquetárias) nos 7 dias anteriores à operação.
· Ser-lhe-ão dadas instruções para a limpeza do intestino, geralmente com um laxante potente e clisteres de limpeza.
· Será indicada uma dieta especial para impedir que se formem mais fezes.
· Não deve ingerir alimentos ou líquidos nas 6 horas que antecedem a operação.
· Na manhã da cirurgia deve tomar duche ou banho como habitualmente.
· Antes de ir para a sala de operações podem ser-lhe administrados medicamentos que lhe causam tonturas ou sonolência.
· Ser-lhe-ão administrados antibióticos, pelo que deve avisar o seu cirurgião de alguma alergia que tenha a estes medicamentos.

Operação

· A cirurgia é feita sob anestesia geral – o doente está a dormir.
· Pode ser feita uma grande incisão, geralmente a meio do abdómen, e a operação é feita de maneira clássica.
· Alternativamente, são efetuadas 3 ou 4 pequenas incisões; através de uma delas introduz-se o laparoscópio, que é uma lente especial cilíndrica que se liga a um vídeo; pelas outras são introduzidos os instrumentos que permitem isolar o segmento de cólon afetado até este estar completamente livre. Só então é feita uma incisão ligeiramente maior, que permite remover a parte do cólon que está afetada e juntar os topos.
· Algumas vezes, após a introdução do laparoscópio, o cirurgião conclui que não é possível retirar o cólon por laparoscopia de uma forma segura; assim, terá de realizar uma incisão maior no abdómen e efetuar a cirurgia de forma clássica.
· Não serão feitas transfusões de sangue, excepto se absolutamente necessárias.
· A operação demora cerca de 3 horas.

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Cuidados pós-operatórios

· Após a cirurgia será levado para uma sala de recobro, onde será mantido sob observação. Quando a sua tensão arterial, pulso e respiração estiverem estáveis será levado de volta para o seu quarto.
· Pode acordar com um tubo no nariz. Este tubo destina-se a remover o ar do seu estômago e será retirado assim que os seus intestinos recomeçarem a funcionar.
· No dia seguinte à operação levantar-se-á da sua cama com ajuda.
· As dores serão controladas com medicamentos que podem ser dados pela enfermeira ou por si mesmo quando sinta que tem necesidade. Isto é feito por um balão chamado PCA (“patient controlled analgesia”) que está conectado aos tubos dos soros.
· Após a remoção do tubo do seu nariz começará a ingerir líquidos e, posteriormente, sólidos à medida que fôr tolerando.
· Assim como com qualquer tipo de operação, as complicações são sempre possíveis. Neste tipo de cirurgia podem incluir peritonite, hemorragia, obstrução do intestino, pneumonia e, possívelmente, outras.
· Deverá ter alta para sua casa em entre 4 dias a 1 semana.
· Ser-lhe-ão prescritos medicamentos e marcada a próxima consulta para observação e remoção dos pontos.

Em casa

· Deve continuar o programa de exercícios que começou no hospital. Deve andar e mesmo subir escadas, mas não exagere nem pegue em pesos.
· Tome a medicação para as dores.
· Alimente-se normalmente, sem exageros, e ingira muitos líquidos e fibras para ajudar o seu intestino a funcionar.
· Deve tomar duche como habitualmente. Se tiver pensos, substitua-os depois do duche por pensos secos.
· Não conduza automóvel até o seu cirurgião lhe dizer.
· Pode voltar à sua vida normal assim que sentir suficientemente bem para isso, incluindo a atividade sexual e o trabalho.

Deve contactar o seu médico se:

· sentir cólicas ou distenção abdominal;
· não evacuar durante 2 ou 3 dias;
· tiver febre acima de 37,5ºC;
· as incisões ficarem encarnadas ou inchadas, ou se sair delas algum líquido;
· tiver alguma pergunta que considere importante.

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